A segurança em gestão de logística no Brasil

07/03/2017

O transporte de cargas no Brasil ainda é considerado um desafio tanto pelas indústrias quanto pelas empresas de logística. O principal problema enfrentado é a segurança, o que torna a gestão inteligente de riscos nos transportes uma aliada indispensável dos gestores de operações logísticas no país. 

Para se ter uma noção desse problema, veja alguns dados publicados no portal Guia do Transportador: 

  • 17.500: Quantidade de roubos de cargas; 
  • R$ 1 bilhão: Valor estimado do prejuízo por ano; 
  • 22%: Parcela dos veículos roubados que não são recuperados. 

Para conseguir evitar riscos que podem afetar de maneira negativa o seu faturamento, que tal entender melhor como funciona a segurança em gestão logística no Brasil? Continue a leitura e descubra como fugir desse problema. 

Quais itens de segurança devem ser avaliados?

Os roubos e furtos de cargas, por serem uma indesejável rotina, resultaram na tomada de medidas práticas e constantes na intenção de coibir tais ações. Nesse sentido, podemos citar o monitoramento de transporte, rastreadores de carga, baús “gaiola” com carga lacrada, etc. O fato é que essas medidas geram custos, onerando as operações. 

A segurança no transporte de cargas envolve riscos diversos, apesar de os roubos serem os que causam maior prejuízo. A gestão desta atividade engloba também a integridade do material transportado, observando as particularidades do produto, tais como: 

  • Perecividade: atentar para as condições de armazenamento, evitando que os itens estraguem ou mesmo cheguem vencidos ao destino; 
  • Fragilidade: tomar as precauções com relação às embalagens adequadas para transporte, bem como orientar os colaboradores no correto manuseio das cargas; 
  • Etiquetagem: ter bastante atenção neste item, pois qualquer erro pode resultar em mercadorias não entregues ou entregues em endereços errados, causando confusão, atrasos e prejuízo. 

É preciso atentar ainda para a legislação que se aplica ao transporte da mercadoria em questão, evitando que a mesma seja apreendida por falhas relacionadas à observância de obrigatoriedades que deveriam ser seguidas. Para isso, é fundamental atender às regulamentações relacionadas ao seu tipo de transporte, ou se certificar de que parceiro logístico, caso trabalhe com este modelo, possui as autorizações necessárias e conta com os seguros que cubram o tipo de carga que comercializa. 

Quais tipos de mercadorias são mais visadas?

Conforme levantamento da Associação Nacional do Transporte de Cargas & Logística, a NTC, no ano de 2014 as mercadorias com maior ocorrência de roubos foram: 

  • Eletrônicos; 
  • Cigarros; 
  • Alimentícios; 
  • Autopeças; 
  • Farmacêuticos;  
  • Químicos. 

O motivo para a alta incidência de roubos de mercadorias nas categorias citadas é principalmente a facilidade de negociação no mercado paralelo e o alto retorno que alguns destes produtos propiciam com sua comercialização ilegal. 

Além desses itens, podemos citar os roubos de insumos e equipamentos, que seriam utilizados na manutenção e modernização das empresas, o que gera enormes transtornos e prejuízos muitas vezes irreversíveis. 

Quais regiões são mais perigosas?

Ainda de acordo com o levantamento da NTC, a região que concentra a maior parte dos roubos é a Sudeste, que sozinha acumula 85,31% dos casos, sendo 82% somente em São Paulo e Rio de Janeiro. 

Confira a seguir a porcentagem de roubos à carga registrados nas demais regiões: 

  • Nordeste: 6,56% 
  • Sul: 4,87% 
  • Centro-Oeste: 2,11% 
  • Norte: 1,15% 

O prejuízo chegou à marca de R$ 1 bilhão, o que é extremamente assustador. Para não entrar nessa estatística é preciso empenho das empresas no desenvolvimento de planejamento logístico com maior eficiência, focando especialmente na gestão inteligente de riscos nos transportes. 

Como fazer o gerenciamento de segurança em transportes?

A gestão inteligente de riscos nos transportes está diretamente relacionada aos fatores que contribuem para a eficácia da prestação do serviço logístico e aos custos gerados por esse processo. Seu papel é otimizar, de forma proativa, a operação como um todo, garantindo que não haja disparidade entre a qualidade do serviço prestado ao cliente e os custos necessários para esse fim. 

Entre os itens considerados nesta abordagem, podemos citar: 

  1. Riscos para cargas: é preciso tomar especial cuidado com as embalagens das mercadorias, bem como o tipo de veículo utilizado, garantindo a integridade das cargas. 
  2. Riscos para caminhões: os veículos são bens valiosos. Quaisquer danos a eles causados, seja por excesso de peso ou mesmo falta de manutenção, podem gerar perdas significativas. 
  3. Riscos de roubos: é indispensável se certificar de tomar todas as medidas de segurança necessárias, tais como: travas, alarmes, rastreamento por GPS e contato regular com os motoristas. 
  4. Risco para a competitividade: além de gerar custos elevados na realização de operações de transporte, quando uma mercadoria é roubada há ainda o risco de perder mercado, principalmente pela percepção de qualidade do serviço pelo cliente em situações como essa. 

A gestão inteligente de riscos nos transportes é uma ação estratégica de caráter preventivo. Sua correta execução permite que eventos que possam vir a gerar danos sejam tratados de modo a eliminar os riscos ou reduzir significativamente a possibilidade de que eles se concretizem. 

Qual a importância de uma gestão inteligente de riscos e de seguros?

Levando em consideração todas as medidas que são necessárias para garantir a eficiência de operações logísticas, listamos os principais aspectos que apontam a importância de uma gestão inteligente de riscos e de seguros: 

  1. Concorrência acirrada: sem uma gestão inteligente de riscos e de seguros, sua empresa pode ter sua competitividade afetada devido aos problemas de qualidade de serviços causados pelas falhas de segurança listadas anteriormente. 
  2. Custos operacionais elevados: um gerenciamento reativo pode tornar as operações de transporte extremamente caras, o que influencia diretamente na rentabilidade e resultados da empresa no mercado em que atua. 

É preciso colocar sempre em prática todas as medidas possíveis para a boa execução dos serviços de transportes, mas sem deixar de aliar a essas ações um gerenciamento de riscos em transportes proativo e eficaz, evitando que os custos tornem-se um peso exagerado que afeta a viabilidade das operações. 

Deseja aprender mais sobre gerenciamento de riscos em transportes? Confira nosso post: Como gerenciar a qualidade das entregas com inteligência de riscos.